Afinal, será que a culpa é mesmo sua?
É engraçado, mas doloroso ouvir: ‘‘Eu
te avisei!’’ ou então ‘‘Você sabia que ele era assim e quis continuar com isso’’,
‘‘Como você ainda acredita em homem? Estava na cara que ele não queria
nada’’, ‘‘Você é que não soube se controlar, eu consigo muito bem esperar a hora certa para demonstrar que gosto de alguém’’, ‘‘Eu não acredito que você
fez isso, eu sabia que se continuasse a sair com ele isso ia acabar acontecendo’’,
‘‘Você é muito boba, esse cara não quer nada sério com você não, acorda!’’....
Acho que já ouvi essas frases
algumas vezes (nas últimas semanas a incidência
desses dizeres está mais frequente) e o sentimento de culpa que elas me fazem
ter é imenso.
Ouvir isso das pessoas é
doloroso, afinal de contas que culpa tenho eu?
Eu comecei a me fazer uma série
de perguntas e buscar respostas concretas sem me deixar levar pelo sentimento
de culpa que surge quando as coisas não estão indo bem, então vejamos:
Gostar de alguém é errado? Não é, mas não significa que outro vá gostar
de você também, se apaixonar rápido demais é um grande defeito de pessoas
carentes (eu me enquadro nesse grupo, infelizmente), a carência faz com que nos
apeguemos a qualquer demonstração mínima de carinho, pois a necessidade de
suprir o vazio que há por dentro é tão grande que nos apegamos facilmente ás pessoas.
A equação desse fato é muito simples, pessoa emocionalmente preparada e pessoa
emocionalmente carente, as duas começam a se conhecer, pessoa emocionalmente
carente se apega, começa a querer cobrar coisas de alguém com quem ela não tem
nada, pessoa emocionalmente preparada começa a ficar sufocada com tantas
mensagens, telefonemas, demonstrações exageradas de carinho, cobranças, pessoa
emocionalmente preparada começa a se afastar, o silêncio chega, pessoa
emocionalmente carente começa a perceber o distanciamento e tenta se aproximar
ainda mais, pessoa emocionalmente preparada silencia-se de vez, pessoa
emocionalmente carente ou se afasta ou perde a cabeça (já fui dessas), pessoa
emocionalmente preparada foge, pessoa emocionalmente carente sofre, o mundo acaba, a vida também, isso tudo em 30
dias (eu nunca consigo passar disso, kkkkk meu Deus, preciso me tratar).
Comecei a criar expectativas e
agora?
Primeiro isso não é errado, mas pode indicar duas coisas, ou você está em um
relacionamento muito sólido ou está iludida, acredito que se você está apenas
conhecendo alguém seu relacionamento não é sólido, moça existem dois tipos de
ilusão e é fácil entende-las imagine que alguém coloque uma venda nos seus
olhos, você não enxerga nada, mas a pessoa vê com clareza tudo ao redor, a
pessoa pega sua mão e te leva para a beira de um precipício e te deixa lá vendada,
um passo e você caí do abismo, o outro tipo de ilusão podemos simplificar assim,
duas pessoas estão vendadas, elas não conseguem ver e mesmo assim resolvem
caminhar juntas, mas no meio do caminho um deles solta a mão do outro cada um
vai para um lado, um deles alerta sobre o abismo e prefere caminhar na direção oposta
(isso é sobre o silêncio do post anterior) o outro insiste em ir para o abismo,
chega e cai sozinho!!
Sou culpada por estar carente?
Não, afinal pessoas não são coisas, somos movidos por duas engrenagens, a razão
e os sentimentos, quando há um descompasso delas não é nossa culpa, entretanto
é necessário atenção quanto a isso, esse descompasso só é percebido quando nos
autoconhecemos (ahhh o segundo post do blog, fala exatamente sobre isso). Não
se culpe por gostar rápido de alguém, nem por criar expectativas, nem por estar
carente isso é natural, acontece o tempo todo e não apenas com você.
Se for se culpar, culpe-se por
não se autoconhecer, por não admitir que está emocionalmente despreparada, se
culpe por não se amar o suficiente ao ponto de não perceber que o vazio dentro de você não é causado por
não ter alguém, mas pela falta de amor próprio e de
autoconhecimento.
Não quer conquistar um homem,
faça-se de vítima, culpe-se por estar sozinha, por ninguém se interessar por
você, se culpe por ser assim sem nem ao menos se conhecer!
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